Que o seu não era medo
Que o sim era fácil, mas tortuoso
Que jogar bola na chuva era bom e perigoso
Que o primeiro cinema foi o mais feliz
Que não jogar bem era porque eu vencia de alguma maneira
Que estudar era preciso
Que apanhar era doses de caráter
Que dormir na sua barriga era aconchego
Que o trabalho seria bom depois de maior
Que eu precisava aprender a não ser mole ou coitado
Que eu precisava ser forte em todo estado
Que você estava comigo e em mim
Que sou a forma dos seus olhos sensíveis
capaz de enxergar os pequenos buracos da vida
Que eu sou o começo e o fim da sua missão
Que eu era uma das suas jóias
polidas das mãos que educavam e acariciavam
Que eu era o primeiro mais forte
Que você tinha orgulho e não dizia
Que eu era burro mesmo e não sabia
Que você era o meu anjo toda hora do dia
Que você é o motivo das minhas conquistas
Que você era o dono da verdade
Que de olhos abertos era sério e amoroso
Que de olhos fechados era calmo e preocupado,
pois achava que estaríamos indefesos
Que errou porque era de seu direito
Que me fez o que sou
Que me deu amor
Que sabia quem eu sou
Que sempre esteve onde eu estive
E está onde eu estou
Que tudo isso tinha um significado
Que eu, o gordo, era seu reflexo apaixonado
Que eu, “borná”, era com quem você queria falar
Que a sua luta era minha
Que o chão é tão duro quanto é meu
Que o seu maior sonho era me ver feliz
Que saudade é a tradução de você sempre estar aqui
Que na verdade os seus braços, a sua cama e o seu colo,
eram quem me faziam dormir
Que você me viu nos primeiros instantes
E eu o vi no fim.
Que agora você está mais feliz (imensuravelmente)
Que poderá cuidar melhor de mim.
O seu orgulho está aqui!
E seu segredo era a sua tradução:
Kleber Luís Cuaglio... Papai.

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