29 de março de 2011

Era tudo verdade




Que o seu não era medo

Que o sim era fácil, mas tortuoso

Que jogar bola na chuva era bom e perigoso

Que o primeiro cinema foi o mais feliz

Que não jogar bem era porque eu vencia de alguma maneira

Que estudar era preciso

Que apanhar era doses de caráter

Que dormir na sua barriga era aconchego

Que o trabalho seria bom depois de maior

Que eu precisava aprender a não ser mole ou coitado

Que eu precisava ser forte em todo estado

Que você estava comigo e em mim

Que sou a forma dos seus olhos sensíveis

capaz de enxergar os pequenos buracos da vida

Que eu sou o começo e o fim da sua missão

Que eu era uma das suas jóias

polidas das mãos que educavam e acariciavam

Que eu era o primeiro mais forte

Que você tinha orgulho e não dizia

Que eu era burro mesmo e não sabia

Que você era o meu anjo toda hora do dia

Que você é o motivo das minhas conquistas

Que você era o dono da verdade

Que de olhos abertos era sério e amoroso

Que de olhos fechados era calmo e preocupado,

pois achava que estaríamos indefesos

Que errou porque era de seu direito

Que me fez o que sou

Que me deu amor

Que sabia quem eu sou

Que sempre esteve onde eu estive

E está onde eu estou

Que tudo isso tinha um significado

Que eu, o gordo, era seu reflexo apaixonado

Que eu, “borná”, era com quem você queria falar

Que a sua luta era minha

Que o chão é tão duro quanto é meu

Que o seu maior sonho era me ver feliz

Que saudade é a tradução de você sempre estar aqui

Que na verdade os seus braços, a sua cama e o seu colo,

eram quem me faziam dormir

Que você me viu nos primeiros instantes

E eu o vi no fim.

Que agora você está mais feliz (imensuravelmente)

Que poderá cuidar melhor de mim.

O seu orgulho está aqui!

E seu segredo era a sua tradução:

Kleber Luís Cuaglio... Papai.

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