31 de agosto de 2012

Homem, ouro em cobre.




O homem inventou a angústia
Para que ela fosse benigna aos olhos,
Mas ela fez chorar.

O homem inventou o lenço para enxugar o choro
Fez música para o coração não desesperar-se,
Mas o peito arfava de vontade.

O homem criou a fotografia
Congela o mais quente instante de brisa leve
Sacia então sua vontade de sentir saudade.
O homem sentiu saudade de quando era inocente...

Foi então que o homem destruiu-se e descobriu dentro de si
Sua imperfeição, seus traços desmarcados,
E um pequeno vidro inquebrável de líquido azul avermelhado...

E o homem descobriu que a única coisa que o mantinha vivo
Tentando, errando, arrependendo no final
Era Deus que lhe deu o Amor, o vidro inquebrável...

E o líquido?
Se derramou sobre seu corpo sendo refeito
E sentiu dentro do peito que tudo era imperfeito,
E olhou para o lado ao invés de para si mesmo
E cobriu-se de esplendor,
Deus lhe permitiu amar, incondicionar-se a uma flor
Que sorri branco, que abraça verde escuro e espera verde claro...

O homem deixou de ser-se
O homem passou a ser por motivo líquido
Se derreteu, se derramou,
Hoje escreve esses versos de Amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pode "mandar bala" nas críticas boas e ruins aqui!