Eu vou contar sobre uma passagem da minha vida, talvez irrelevante, mas de grande valor. Vejam, um menino de 6 anos aproximadamente, feliz, brincalhão, bobo de tudo, um dia é chamado pelo seu pai para ir ao cinema.
Ele toma banho, é trocado pela sua mãe, assim como também seus irmãos, e vão para o cinema. Adentram a uma sala simples no centro da cidade, compram pipoca e ficam sentados e com os olhos fixos em uma tela enorme ("a maior tela do mundo, né pai?"). EM cartaz 'Simão, o fantasma trapalhão'... A felicidade é enorme e contagiante.
Ao chegar em casa, todos felicíssimos, o menino, na sala de casa começa a chorar, seu pai vai ver o que ele tem, senta em uma poltrona de sofá antigo, o coloca no cola e pergunta o que havia acontecido e o menino diz:
- Pai (Kleber Luis Cuaglio), não foi nada não.
- Você está feliz, filho - pergunta o pai
- Sim pai, muito. Hoje é o dia mais feliz da minha vida.
Eis uma pequena passagem de uma história de um menino muito emotivo, sensível, brincalhão e às vezes nervosinho.
Ele depois disso foi à escola tentar tirar as melhores notas para mostrar para seu pai, não para ganhar 2 reais a cada nota A ou 10, mas para que o pai sentisse orgulho dele, mas o pai nunca disse isso mesmo que assim se sentisse. O pai dele ia ver os jogos dele de futebol, sempre criticando e de vez em nunca dizendo 'hoje foi bom', mas o que ele não sabia é que era por orgulho pelo filho e queria que ele crescesse mais. O pai dele um dia o chamou de burro, mas por uma coisa besta, situação de momento de raiva, o menino chorou e disse que ainda iria "esfregar o diploma na cara do pai". O menino estudou bastante, e conseguiu então uma chance de cursar uma faculdade (coisa que o seu pai não tinha condições de bancar) de graça e compartilhou da alegria com o pai que no momento permaneceu intacto, sem demonstrar emoções. Esse menino teve que escolher um dia entre os pais e alguém, e pensando no seu pai ele escolheu a família sem dúvida alguma. Alguns dias depois, depois de tantas conturbações entre pai e filho e um amor inigualável, o pai, tarde da noite estava um pouco mal, ele se preocupou e pediu para levá-lo ao médico, mas o pai não quis dizendo que estava bem. No outro dia de manhãzinha, o filho iria trabalhar mesmo sendo seu dia de folga... Preocupado, antes de sair de casa abriu a porta do quarto dos pais, viu que ambos estavam dormindo e deu um beijo em cada um, bem devagar para não acordarem. No trabalho recebe uma visita de um parente dizendo que o seu pai falecera.
O menino nunca mais então teria uma bola de futebol, uma bicicleta, um futebol na chuva, broncas, tapas, cinemas, dormir na cama do pai com seu cheiro no travesseiro, dormir na barriga do pai, ser chamado de "Gordo", e muito menos chegar no dia de sua formatura e ao invés de esfregar o diploma na cara do pai, entregar o diploma a ele e dizer: "Pai, esse foi para você, foi por você. Muito obrigado por me fazer quem sou!"
Pai, eu te amo muito (infinitamente).
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