Eu amei e confesso que amei.
E não sabia o que era amor, mas amei.
Eu deixei o nada sugar de mim toda alegria
E tudo o que fazia tinha um pensamento nela.
Passou ano, veio ano, passou ano, veio ano, passou ano e nada
E eu me sentindo esperançoso de poder ter tudo
Tudo fruto do egoísmo
Tudo o que eu queria
Tudo o que traria a minha felicidade.
E então você jogou as minhas lágrimas no lixo
Fiquei com cara de espinho de flor.
Acabou aí a descoberta ou tentativa de saber o que era o amor.
Então decidi seguir por estradas cegas
De passos incorrigíveis e minhas solas
As solas dos meus pés que pisaram em pedras
Sangrou. Chorou vermelhidão. Abraçou a solidão interior.
A carne teve duas ou três namoradas e suas vezes
Vezes jamais multiplicadas, divididas ou somadas,
Subtraídas vezes de felicidade.
Então me tornei sozinho
Quis me tornar sozinho,
Pedi para eu ficar sozinho,
Declarei-me só e só.
Hoje, cético de coração
Não acredito nem que tenha existido outra você
A não ser a que me recebia de visita
Somente isso e nada mais.
Nunca houve, pelo que acredito ao menos,
Ninguém que eu tenha amado,
A não ser que você tenha existido.
E se existiu mesmo, me desculpe, mas...
Mas eu não me lembro de nada a não ser visita.
O meu coração hoje é rua, sarjeta
O meu dia não tem mais lua, ainda que discreta
A minha tarde da noite não tem sol, nem bemol.
E por ser rua não tem porta.
Você,
Me desculpe...
A senhorita que está pretendendo achar as chaves do meu
Procura por faca em mãos de borboleta.
Convivo apenas com a retórica da vida,
Com a mortandade,
Com as sujeiras da sociedade,
E sem qualquer perspectiva.
Nem tente!
Não há ninguém presente
A não ser lembranças de quando não havia me esquecido
De que amava me sentir amante.
E nunca fui.
Se choro, todas as noites e madrugadas
Choro em vão pelas calçadas
Pela traição entre o meu peito e a minha memória
Contra o meu coração.

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