11 de setembro de 2011

Tudo se encaixa em qualquer caixa



I

Pedra e pau
Servem para machucar e para proteger.
Mais, menos e igual
Servem para sorrir, chorar e ter alguém para amar.
Aliteração e violão
Servem para dar som e para aquietar seus impulsos.

Tem cachoeira e árvore
Tem flor na grama
Tem calma...
Tem tudo isso quando se ama.

Eu amo e tenho a quem amar
Só não consigo tocar além do espelho
E me vejo nela através dos seus olhos
Fixos, penetrantes e que hipnotizam...
Me levam aos seus sonhos
Andamos juntos para entender os seus desejos
Caminhamos
Entre a cachoeira feita de pedra,
A árvore feita de pau,
Na flor da grama fazemo-nos mais,
Tornamos o tempo menos,
E nos tornamos igual
Na calma do violão,
No amor explicado pela aliteração.

II
E acordo,
E desperto,
E no desespero de não tê-la por perto...
E vejo,
E volto àquela vez em que quase houve um nós,
Um beijo...
E volta e meia, inteiramente me sinto seu
E sendo seu suponho que suo tuas lágrimas
E está calor, e suo mais,
E chove só agora, e choro toda hora
Porque queria tê-la aqui, mas sonhos não há
Acordei e acordado quero amar, não mais sonhar.

Mas você está longe,
Mas você nem mesmo me quer,
Mas você já sonhou comigo,
Mas o que isso vale enquanto não te vejo sorrindo?

E então você sorri
E tudo então vira sonho
E daí não consigo dizer tudo o que sinto
Porque sei que ali nada é real.

III
Se sabe que estou aqui
Não se contente em reservar-se
Eu continuo assim, sem saber o que você sente
Deixe de ser sonho que então deixo de sonhar
Seja a causa do meu suspiro em noite de luar
Seja a tua estátua e o meu monumento
Sejamos um ao outro o sem querer dos nossos momentos
E que sem querer, e sem destino, e sem medo
Sejamo-nos o nosso sonho nunca visto,
Nunca palpável e mesmo assim
O único já vivido.

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