4 de janeiro de 2012

Uma taça de vinho e um espelho

Imagem retirada da internet


Eu preciso esquecer a solidão com um belo copo de vinho, adormecer no quintal de casa olhando o céu nublado, o vento frio.
Oras, estou descrevendo um cenário totalmente solitário, como esquecerei a solidão dessa maneira?
Penso... É na companhia da solidão que me lembro que tem algo perto de mim, que me abraça quando eu possivelmente fraquejaria e começasse a choramingar pelos cantos por não conseguir esquecer quem nem se lembra do meu rosto frívolo.
Esqueço de fechar as cortinas antes de dormir. E vem o vento frio, e vem a brisa forte, e vem o sonho pesado, e vem a saudade. Mas a saudade não é igual a solidão. A saudade eu a odeio e a quero por alguns instantes. Sua companhia me dá arrepios, me faz tremer de medo. Na companhia da saudade eu não tenho solidão, e sem solidão eu me sinto totalmente sozinho, e sozinho eu vivo pensando em alguém cujo sorriso me domina.
Sou leão piadista num dia romântico de fim do mundo. Isso me traduz e é tanto que aquele sorriso que me domina é reflexo. De mim? Não, do futuro que sonho, que acordo e continuo sonhando. Meu peito arde e tenho raiva de imaginar que pode ser em vão.
Que ele arda então... Arde como um cometa que invade a atmosfera e transforma a rocha em poeira, arde como mar que invade a praia e desenha na areia, arde como ciúme do que é metade seu por sua vontade e metade seu por vontade própria de ser sua metade... Arde! Arde! Mas arde até que eu não me aguente mais e...
Poxa vida, terminou a garrafa de vinho. Garçom traga-me mais uma garrafa de vinho e uma taça preta porque eu não quero ver o que tem dentro. Quero apenas sentir o que ele é ardendo dentro de mim.
Ah! Traga-me também um espelho! Tenho aquele sorriso guardado na minha memória e quero vê-lo agora!
Não... Não é apenas olhar para o sorriso... É lembrar dele e lembrar de como sou feliz apenas de lembrá-lo.

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