26 de março de 2012

Nuvem...




Não me aquieto
Desperto-me num aperto singelo
Num relance de olhares com esmero
Desfaço-me como um laço lasso.
Embaraçado, penteio em mim seu descontrole
Aliso sua inquietação e guardo suas pulseiras no bolso.
Amordaçado grito, humilhado ajoelho no milho,
Folgado...
Com as minhas pernas deitadas como uma montanha,
Minhas mãos jogadas com beleza pelo céu, sou nuvem.
Sou o branco no azul, o roxo no branco, o alaranjado no vermelho negro,
Sou o algodão de Deus,
Se Ele me aperta eu chovo, ou choro.
Se Ele me desperta com entusiasmo
Fico ao lado do sol e dou motivo para um retrato.
Se faço ou me desfaço
O importante é que vivo; Eu inspiro.
E se existo, todavia insisto
Em dizer que sou o sino
Que não faz barulho, mas ensurdece o destino,
Pois desde menino sorrio, sou brilho no brio,
Alicates a parte, sou fio
O ponto de ligação dos dois extremos de mim.
Eu me esqueço assim, eu me lembro assim,
Eu sou o que acho que não sou, e também sou se sou,
Pois ser o que é de mim, dentro do meu céu sorridente
Não é para toda gente ser,
Mas se quiser me ver e sorrir
Fique à vontade...

Sou a nuvem da Terra
Oro ajoelhado na terra
Agradecendo por ser...
Nuvem de chuva doce sem fim.

Luiz Aguinaldo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pode "mandar bala" nas críticas boas e ruins aqui!