Já fui alvo de tantas tolices
Passei por mim sem nem mesmo saber que era eu
Sem nunca imaginar o que eu sentia
Nem mesmo olhei em meus olhos e enxuguei minhas lágrimas.
Eu nunca soube mesmo o que eu sou,
Ou se o que eu sou e penso ser é o que realmente sou.
Entro constantemente em um universo só meu,
Só eu o conheço, só eu me perco nele.
Pessoa disse certa vez que a poesia
Só é bela quando feita após passar o momento de emoção.
Um grande sábio, o adoro,
Mas não concordo!
A poesia tem que ser feita quando toca o sino da vontade,
Quando as crianças saem da igreja brincando pelo parque,
Quando vemos pássaros sobrevoando a lagoa
E os fotógrafos eternizando pelos dias a fio a linda imagem.
A poesia é a convalescença do que é perdido dentro de nós,
Do que achamos enquanto vemos um filme ou alguém.
A poesia se é enquanto nós a fazemos
E ainda assim ela é quem tira o nosso retrato.
Detesto pessoas diretas e indiretas.
A poesia é diretamente o que sinto,
Indiretamente o que sou.
Ah! Ainda bem que a poesia não é gente
Para que eu não a ame, mas ame alguém que ame que eu a faça.
Eu faço uma poesia feliz depois de fazer alguém feliz
E triste quando triste.
Não tenho quem amar
E procuro incessantemente dentro de mim, dentro de tudo,
Dentro do que já está fora e afora do que eu quero por
dentro.
Eu quero amar!!!
Não quero indagações sobre quando ou por quê?
Não quero o que não quero. Quero o que quero!
Amar é mais do que querer, mais que sentir ainda,
Eu escolho amar, escolho ficar,
E ainda que eu tenha que ir... E vou...
Não há nada que me separe do amor.
Não a procurarei entre as flores,
Não a acharei entre os espinhos ou as montanhas,
Não precisarei decorar rezas por alguém que virá,
Alguém que eu vou escolher,
E se vou escolher é porque a conhecerei.
Mas já escolhi o que não conheço,
Já vi transparente o que foi pintado de azul,
Existem sete faixas coloridas no céu
E ainda assim apenas o brilho branco dos olhos dela reúne
todas as cores.
E ainda não a conheço. Nunca toquei em suas mãos,
Muito menos a convidei para a dança que não sei.
Desatei-me de mim, fragmentei-me,
Insultei a mim, suicidei-me,
Cri em outras e em mim, Desesperei-me,
Acalmei o que há em mim, Evaporei-me,
Evaporei-me para atingir o intangível,
Tocar o inatingível...
E fui... Fui... Fui.
Não há por que voltar atrás,
Não existem ironias do destino atrás
de uma comparação de sangue e suor,
Não existe regra que me impeça de amar
Assim como meu verso começado minusculamente,
Posso usar adjetivos para calcular minhas vontades
E não há repetições de vogais que me faça perder o ritmo de
amar.
O meu coração deveria fazer aquele
Tuntum, Tuntum, Tuntum...
Por você, mas ele não é igual aos outros,
Nunca foi, pois ele faz um estranho
Tuntá pulingarabubá, Dunfá Serimá nahdah, eãmá errrr...
É um descontrole dilacerado e aconchegante
Faz-me usar o que quero, quando quero...
Por que espero?
Por escolha.
Que eu nunca ame como nos filmes,
Que eu nunca beije como meu amigo e uma ‘ficante’,
Que eu nunca abrace como imagino o instante,
Que eu nunca seja quem ela sempre sonhou,
Assim como eu não repito as primeiras palavras do verso
Eu as falo pela primeira vez a cada linha diferente.
Eu não sou um homem qualquer nem um homem igual,
Eu não sou quem você quer nem o que lê no jornal,
Eu não sou o que sou se você criar ilusões,
Eu não sou e continuarei não sendo qualquer realidade...
Assim como eu repito
cada verso como as horas,
Mas sempre quando o ponteiro volta
É diferente de outra vez e os dias passam assim...
Eu quero repetir eu te amo até o fim da minha vida,
E quero antes te conhecer melhor,
Tomar um vinho doce e falar das nossas vidas.
Quero aprender contigo e no final da noite dizer ‘eu te amo’
Assim como nas próximas vezes...
E nos casaremos, e teremos filhos, e creremos em Deus, e
teremos netos,
Bisnetos, casa, lazer e tudo mais...
E cada eu te amo de cada segundo será diferente,
mas palavras tecidas numa mesma história...
Sem que o verso comece igual...
E que terminemos a vida no fim
Sem intermédios, remédios ou um tempo curto a mais.
Que comecemos então por hoje
Assim que você dizer a mim que me ama...
Então pegarei a linha, a agulha e o pano,
E te direi o primeiro ‘Eu te amo’.
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