19 de julho de 2011

Pintada a óleo



Ela tem o corpo de um precipício
Altas horas da noite e sua visão clara
Revela no sopro o que a flauta clama
Toda tela pintada a óleo revela seu vício
Do frio que alimenta teu arrepio
E de te ver já caio na tentação da maçã negra
Mordida e degustação, sonho e frustração
Não posso tocá-la que o abismo me persegue.

A poeira que sopra do quadro
Tua face em escalas de cinza
Torna para mim um fardo
Nunca olho como se a imagem fosse minha
Nunca sangrou meu peito pela tua ausência
Nem mesmo parou minha respiração na tua presença
Houve apenas segredos, adulto-imprudência
Nego meus preceitos
Nego minha inconsciência
Nego tudo quando teus olhos insinuam minha convalescença
Só não nego que tenho defeitos
Mas nego que eles tenham em você alguma semelhança
Apenas os tenho e ninguém nota nenhuma diferença
Já você, estática, em óleo formosa, ora por mim
Enquanto faço da minha vida o fim e o conforto
Caçando o precipício que encontrei apenas em teu corpo.

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