Para que se dizer minha?
Ou então se achar entre os meus versos,
Caminhando entre os copos de leite
E saboreando meu íntimo com deleite?
O céu cinzento, o sol dormindo,
A gente correndo para não se molhar.
O som é triste, o show persiste,
A água cai sem pressa,
E flui, e acalma, e deixa sedento, e dilui
As nossas almas para que possamos nos misturar,
Sonhos com sonhos, nossos desejos,
Medos e medos, nós nos propomos
A não tentar compreender por que a lua está quieta
E as estrelas nas portas olham pelas frestas,
A gente se molhando, os lábios úmidos se tocando lentamente,
Os abraços apertados com vontade de se cruzarem
Unindo a matéria e a alma,
O desespero e a calma,
A flora e a animalidade humana,
Num propósito de tentar manter o tempo inerte,
Levando-nos onde a distância se inverte
Numa proximidade Katrina
Que chega, sopra, destrói o vazio,
Alcança o júbilo e a volúpia,
E por fim desabamos na imensidão do último sono.
Foi depois da chuva e da tempestade
Que vieram lá de outro lugar as sementes,
E nasceram os copos de leite...
E você chegou sem se apresentar,
Invadiu minha privacidade de sonhar em uma única noite de águas,
E as sob as águas discorrem os meus versos,
E meu íntimo descoberto
Para você deleitar.
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