10 de outubro de 2011

A mensagem que ficou na ponte



Olhe aquela ponte sobre as águas do Tejo
Foi nela que naquele dia de nevoada eu chorei
Lembrei de cada instante em que o tempo era apenas um adjetivo
E os sorrisos discorriam como termos de um verso.
Nela eu descobri qual a sensação do vento frio
Enquanto o calor ma fazia suar as tristezas dos erros do passado
E como se eu tivesse da vida apenas um fio
Sentei-me em suas extremidades e me invadi de norte a sul.

O inverno sempre foi a estação do aconchego
Filmes românticos e um simples jantar,
Mas sempre que a névoa formar pedaços de gelo dentro de mim
Voltarei àquela ponte sobre as águas do Tejo.
O inverso das folhas caindo é o pleno verão
Das belezas naturais e plataformas lotadas na estação,
Mas nunca haverá alguém que estará me esperando
Acenando louca para me abraçar enquanto na bagagem
Eu trazia a solidão de ter estado distante com medo de nunca mais voltar.

Eu poderia nunca ter saído de lá
O destino é um teatro de arena sem show
Enquanto todos estão lá, todas aquelas pessoas diferentes
Prontas para ver não sabem o que
E alguém se apresenta como o Maestro do silêncio.

Eu nunca disse para você ficar
Porque você sempre disse que eu era quem teria que dizer as coisas
E no instante em que eu me calei você viu como o meu coração tremia
E o livro que estava em minhas mãos escondia o último bilhete.
Carregando com as mãos trêmulas a Bíblia guardando o bilhete que dizia
“Quando você sentir saudades, basta prestar atenção no brilho das estrelas,
Verá nelas o seu reflexo como o espelho dos seus sonhos,
Então entenderá o porquê de eu ter falado com Deus e ter ficado quieto diante de ti.”

Mas você apenas virou as costas e pouco se importou para o chão,
Sob os meus pés, molhados.
Foi ali em que os meus dias se tornaram segredos de travesseiro.
Então resolvi descobrir o Tejo
E num dia de névoa, passando sobre a ponte, vi o meu reflexo na água
E um vazio me invadiu como se nada mais pudesse voltar
E o caminho que um dia percorri descalço tivesse sido apenas um sonho.

Peguei o último trem da meia noite,
Cheguei logo pela manhã e na estação lotada, cheia de todos,
Havia aquele mesmo vazio estampado no relógio, no tempo.
Um dia eu descobrirei quem o preencherá.
Espero que seja alguém que também saiba o valor da ponte do Tejo.

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