No embalo do dó maior
Tenho dó de quem tem dó de mim.
Nunca fui imprudente quando sóbrio,
Mas joguei cartazes nas ruas em objeção
À ré que dá o ritmo da vida alheia
Engato a segunda marcha e sigo avante
Numa retórica passagem por momentos doravante d’outras.
E caminho pelo tom do outono
As folhas jogadas no chão
As flores que eram para estar em seu buquê
Estão no propósito do banco da praça
Só não me pergunte o porquê.
Posso ter tido momentos efêmeros
Nada incomum aos meus gêneros.
Se quiser vir comigo e ver como é eterno
Vista o seu vestido branco
E eu, enfurecido, aceitando as normas clichês, visto o terno.
Outrora não garanto que fique mais de alguns dias
Afinal, essa é minha vida.
Enquanto desprezo esse sonho
Declamo ao meu sacrilégio, incoerentemente
A canção de outono.

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