13 de maio de 2010

Canção de outono


No embalo do dó maior

Tenho dó de quem tem dó de mim.

Nunca fui imprudente quando sóbrio,

Mas joguei cartazes nas ruas em objeção

À ré que dá o ritmo da vida alheia

Engato a segunda marcha e sigo avante

Numa retórica passagem por momentos doravante d’outras.



E caminho pelo tom do outono

As folhas jogadas no chão

As flores que eram para estar em seu buquê

Estão no propósito do banco da praça

Só não me pergunte o porquê.



Posso ter tido momentos efêmeros

Nada incomum aos meus gêneros.

Se quiser vir comigo e ver como é eterno

Vista o seu vestido branco

E eu, enfurecido, aceitando as normas clichês, visto o terno.



Outrora não garanto que fique mais de alguns dias

Afinal, essa é minha vida.

Enquanto desprezo esse sonho

Declamo ao meu sacrilégio, incoerentemente

A canção de outono.

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