Via-me dentro de um barco
Que insistia em afundar, cada vez mais e mais.
A solução para minha agonia não podia ser outra:
Abandonar tal barco.
Assim sendo, porém, atirar-me-ia em alto mar;
(isto era terrivelmente tolo á meus olhos).
Todas as noites, a mesma dúvida torturante percorria
meus sonhos:
Insistiria eu em permanecer no barco condenado
Ou me abandonaria ao acaso, tomada por uma coragem sem razão?
Poderia ser talvez um ato condecorado analisando a situação.
Contudo, estou só dentro do tal barco velejador
Que me leva por onde o vento for,
Sem direção, por um destino distinto.
Vejo terra a milhas e milhas além
Resta saber se a areia praiana é real
Ou é mais uma sensação artificial de estabilidade.
Não tem a ver com utopia ou realidade
Tem a ver com meus instintos, sensatos ou assassinos.
Num piscar de olhos e um desatino
Procuro uma borda para me apoiar;
Por fim me apóio em dois lados: viver ou me afogar.
Como sempre caio em vacilo nas escolhas
O suor escorre, o medo se encolhe e o corpo espera um último sentido
Enfim sinto que não devo abandonar a rota.
Continuo navegando até saber onde vou chegar,
Não é de minha índole desistir
Se for para morrer, morrerei por tentar.
Texto de: DE ANDRADE,Natália Aline; CUAGLIO,Luiz Aguinaldo Ponton
Ver também em: http://lunathicaandrade.blogspot.com/
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