As lágrimas querem sair, mas insistem em ficar atrás da porta, pois sabem que sua saída de nada vai adiantar. O meu coração se você quer saber tinha amolecido, mas aos poucos está se solidificando novamente. Meus olhos, estes que escondem as lágrimas, estão cegos por enxergar uma coisa só, pode até ver outras coisas, mas nada mais importa, ironia pura, pois sabemos que cego é aquele que não vê, eu vejo ao menos alguma coisa, porém esta me tapa os olhos e nada mais vejo.
O meu corpo, sucinto de compadecimento alheio, obra de um sentimento de outrem que se dispôs a sentir por mim o que acabaria assim que eu me tornasse algum rio de águas límpidas no meio das florestas queimadas pelo desamor de um parecido, sente que está na hora de descansar, e sofrer ainda mais o que já sofreu, o que sofre e o que sofrerá por tudo o que lhe foi maléfico.
Os meus pés, ah meus pés, os mesmos que usei para chegar até onde o sentimento mais profundo estava, no qual andei por trilhas de pedra, descalço, estes estão se preparando para tomar o caminho de volta, porque quando lá cheguei, restavam apenas as palavras de baixo calão, os toques serenos preparados, para um soco talvez, e as mentiras de um peixe que pensava falar a língua dos jacarés sem perceber que jacarés não falam.
Minhas mãos, calejadas por ter cavado entre as rochas sedimentadas procurando um atalho para o outro lado de uma vida que parecia não ter fim (infeliz por ser em vão), e acabaram entre os pedaços de carne viva que os dinossauros, que não existem, mas deram um jeito de existir só por minha causa, desfrutaram de mim.
E a minha mente consciente de que tudo o que eu falei, aos olhos alheios não passam de uma peça de teatro mal encenada, tem também a humildade de pensar que cuidadosamente entende que nunca me importou com o que um desconhecido (mesmo que nos conhecemos) acha de alguma coisa, e que essa é a última vez que eu me olho no espelho.
Muito obrigado por ter me ouvido. Nada mais do que obrigação, afinal, você sou eu, e estamos olhando um para o outro e dizendo: Tudo de novo! Agora é só rezar para que o colchão de onde quer que vamos cair seja pelo menos d’água, no mínimo de sorte macio. Se é que temos sorte ou alguma coisa nessa vida.
Um abraço meu EU. Ontem, agora e sempre, juntos.
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