25 de janeiro de 2011

Pergaminho lacrimoso

Nas palavras discorridas no pergaminho
De versos livres e estrofes saltadoras
Mancha-se o papel com lágrimas
Que pulam dos olhos como trampolim
Um suicídio do que é o alívio do homem perdido.
Decerto as palavras escorregaram pelas linhas aleatórias
Os sentimentos se embaralharam
E sobrou apenas o que ainda se sente
Como um cheiro de perfume na memória
Você sente, mas não o tem
Pode ser ocasional virando à esquina
Ou num encontro marcado no restaurante do trem.
E o livro que não tem mais história
Frases roubadas e sinceridades presunçosas
Olhares de desejos esquecidos, atitudes pensadas
Beijos convencidos em nenhuma batalha
Acontece ao amor depois que ele se vai
E ficamos nós (seu esqueleto) memorizando a carne
E o espírito, e a esperança
Não serão os últimos a morrer em dor
O último anjo é o amor

E o poeta se cala e esquece o que escreveria
Nunca esquecera o que sentia
Mas se perdeu nas palavras perdidas
E foi caminhar ao vento
Procurando um alento
para encontrar um outro amor.

2 comentários:

  1. Lúuuuh,

    Dizem que o poeta só é grande se sofrer... Que coisa não?! Senti uma agonia ao ler esse magnífico poema, que nem tenho palavras para descrevê-la.

    Muito bom, adorei. Continua...

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