Estou voltando ao passado
Ouvindo músicas que me relembram
Sinto como se depois não tivesse vivido
O domador foi domado
O exército conquistado
Alucinação sem sentido.
Nada estou insinuando
Tudo pode ter mudado
Não estou mais voando
Ando descalço
E num encalço da ironia
Não sobrou o cheiro do que sentia
Enquanto o tempo passou
Houve o meu regresso
Tudo continuou, tudo mudou
Foi-se o tempo em que eu dizia
Palavras de amor, chorava de dor
Por um querer sem sucesso
Por pais contentes
Por um país vivendo honestamente
Com medo do incesto.
Nada girou como eu pensava
O agora de tempos atrás veio à tona
Me cobriu de elogios
Me encheu de arrepios
Fui jogado na lama
Pela humildade que me restava.
“Não se sinta como um nada.
Tudo não passou de uma ilusão.
O tempo não regressou.
Você não vive de amor.”
E num surto de agonia
De nada valia enlouquecer
A noite fria me levava a você
Como a escrever uma poesia
Sem sentido, fazendo sentido
Sem haver mesmo tendo havido
Um dia atrás que nos remete ao futuro
Bate palma, pula muro do vizinho
Trata bem, carinho de leão
Dentro de um coração, gente e povo
E tudo começa de novo diferente
Outra vez comumente, um dia novo.

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