23 de junho de 2011

Desbravador de meias rimas finais

Descubro por onde escrevo diversos papéis,
Diversas canetas, cores de tintas,
E palavras que expressam o indiscutível
Não o discuta, apenas mostro-o para fora de si.

Não se trata de histórias de lampiões ou cordéis
Nem de Marieta, nem de sonetos que ela recita.
Descubro nas rimas o imprescindível.
Não pressinto, eu sinto. Tudo que há em mim por parte de ti.

Meu desespero é madrugada nua,
Que brinca fazendo traços no horizonte
No nosso caderno de desenho para que possamos percebê-la.

A madrugada é o sono do sol, a tarde da lua
E uma brincadeira de esconde-esconde
Entre as nuvens e as estrelas.

Não quis fazer soneto porque já o descobriram,
E como é vivo em mim novas descobertas,
Escrevo sobre o que meus olhos nunca sentiram,
E quando a viram lá de longe, já lhes tremeram as pernas.

Formou-se então novas frestas,
Um caminho indistinto,
E as borboletas de asas abertas,
Mostraram-me qual o meu destino.

O final deste é intangível
Sabido pelos órfãos de amor, donos da solidão,
Nunca por mim, mero crepúsculo sensível.

Descubro no fim, lareira acesa e imensidão.
No início tudo era discreto, agora indescritível.
No meio de tudo, havia uma chave. A do seu coração.



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